Jesus ensina a autêntica generosidade
Os simples “se salvam pela ignorância”. Para os escribas vale o contrário: já que sabem, porém escondem sua cobiça de honra, banquetes e dinheiro atrás de longas orações, “esses receberão sentença mais severa”. Os escribas não são os fariseus. Estes eram judeus fervorosos, dados à observância da Lei até os mínimos detalhes. Para isso precisavam de assistência teológica, que lhes era fornecida pelos teólogos, os escribas. Os escribas geralmente aderiam à tendência farisaica, que lhes garantia freguesia e fama de santidade, mas nem por isso eram tão santos assim. Aconselhando “boas obras” às viúvas, proviam-se dos pobres recursos delas. Gostavam de todo tipo de precedência, até na boa comida. Nem todos, é claro (cf. ev. Dom. pass), mas muitos. Também hoje conhecemos os que explicam a Lei e os que a aplicam. O evangelho de hoje faz uma oposição entre a falsa piedade dos escribas (a hipocrisia) e a verdadeira piedade de suas vítimas, as viúvas, sinônimo de pessoas desprotegidas. Cita o exemplo de uma viúva que, depositando algumas moedinhas no templo, coloca “todo o seu viver”(literalmente cf. o texto grego) nas mãos de Deus, enquanto as pessoas abastadas, embora com muita ostentação, só dão de seu supérfluo.
A índole da viúva é confiar em Deus, já que vive à mercê das pessoas. A 1ª leitura nos narra um episódio para ilustrar isso. Elias está fugindo do ódio mortal que lhe dedica a rainha Jezabel, filha do rei da Fenícia. A fuga o leva à pátria dessa rainha. A fome o obriga a recorrer à casa de uma pobre viúva, antípoda da rainha. Ela está no fim de seus viveres. Vai cozinhar sua última farinha para si e seu filho, prevendo para depois a morte pela fome. Mas mesmo assim, dá preferência ao “homem de Deus” e lhe entrega seu último “viver”. E Deus recompensa sua entrega total: sua despensa nunca mais ficará vazia.
A mensagem global destes textos é que certos “homens da religião” estão muito longe do mistério da generosidade que se realizou no encontro do “homem de Deus” (Elias) e a viúva de Sarepta – uma pagã. Muitos homens da religião correm às casas das viúvas para se enriquecer, não para encher as despensas delas. Entretanto fazem ostentação de uma piedade que é a negação mesma da piedade da pobre viúva. Será que isso só existia em Israel, no tempo de Jesus?



